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Por que o termo colaborador é usado para normalizar a exploração?

por Jessé Souza

Chamaram de modernidade, mas foi uma troca silenciosa de pele. O trabalhador virou colaborador, e essa palavra, que parece leve, muitas vezes vem carregada de uma armadilha. Ela tenta fazer você acreditar que a empresa é um espelho do seu valor, e que aceitar tudo faz parte do jogo. Só que não é parceria quando só um lado decide as regras.

A uberização é o retrato mais claro disso. Prometem autonomia, mas entregam risco. Você assume o custo, a insegurança, a culpa quando algo dá errado, e ainda precisa sorrir como se fosse escolha. Nessa lógica, cada pessoa luta sozinha, desconfiando do colega, como se a solidariedade fosse fraqueza. E quando a gente se isola, fica mais fácil normalizar o que nunca deveria ser normal.

É aí que a história aparece com uma cara nova, mas com o mesmo fundo antigo. O oprimido passa a vigiar o oprimido, a cobrar postura, meta, entrega, como se estivesse protegendo um lugar que nunca será dele. A exploração fica mais sofisticada quando ela dispensa grito e passa a morar na linguagem, na cultura, no medo de perder até o pouco que sobrou.

Se isso te atravessou, comenta aqui qual foi a palavra mais perigosa que já usaram pra disfarçar exploração no seu trabalho. E manda esse texto pra alguém que precisa lembrar que indignação também é lucidez.

 

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